Que bacana que anda o pré-carnaval de rua em São Paulo. Na República ontem um desses tantos blocos reuniu mais de cem foliões, estive num bar ao lado. Tocavam marchinhas tradicionais e algum samba rock antigo. Os temas e nomes desses combinados são incríveis. Existem os Acadêmicos do Baixo Augusta, Bloco Bastardo, Bloco do Lixo, Bloco da Ressaca, Jegue Elétrico. Aqui no bairro está rolando o Moocarnaval. Surgiu nesses tempos uma banda tocando pelas calçadas da cidade: Bloco 77, Os Originais do Punk ("Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero pogar"). Os camaradas do Bloco Soviético compartilharam registros hilários da Internacional ("Agregando Mais Valia ao Camarotsky").
Sugestionado pelo clima também vou marchando, esfumaçante e barulhento. Em 1968 o quinteto paulistano Suely & Os Kantikus gravou seus únicos registros fonográficos: Que Bacana / Esperanto. Na primeira conseguiram fundir o ritmo das marchinhas tradicionais na guitarra fuzzilante do Lanny Gordin, uma cosmopolita fusão. Genuíno registro da música Garage brasileira. A canção ganhou o Festival Universitário de São Paulo, (passou ao vivo na TV Tupi) e foi regravada pelo conjunto Os Carbonos no mesmo ano. Mais tarde Suely deixou os Kantikus para viver nos Estados Unidos. Lanny Gordin continuou, notável em quase tudo em que houvesse Fuzz, sua marca pessoal, uma identidade. Gravou obras primas de medalhões da Tropicália e Jovem Guarda, dividindo palco com todo mundo, até hoje. Seria inédito e lisérgico, também não nos surpreenderia tanto, um bloco dedicado à essa geração: Unidos Pelo Esperanto ("Eu vou, por que não? Por que não? Por que não?")
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