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quarta-feira, 12 de março de 2014

DO SUICÍDIO, OU POR QUEM OS SINOS DOBRAM

"O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia." (Albert Camus, escritor do Existencialismo e do Absurdo).



Perdi um amigo, perdemos Adriano Lemos. O princípio da nossa amizade foi o estilo de vida em Vespa, sementes de 2007. O chamávamos de Cientista, mas Adriano era artista. Fabiola Cally dedou: "um dos pioneiros da Toy Art no Brasil". De expressão melancólica e olhar ébrio sempre mirando qualquer coisa no chão, era o Adriano. Desse ponto de vista, considero, portanto, seus trabalhos, auto-biográficos. No ano passado ele presenteou a Scooteria Paulista com uma obra especial, a que batizei de M13. Deu que no último domingo ele consumou sua obra.

Desconheço a patologia do suicídio, acredito em hipóteses psiquiátricas e sociológicas. Por ano, mais de dez milhões de pessoas tentam, um milhão conseguem. Walmor Chagas virou estatística aos 82. Gênios como Hemingway, Santos Dumont e Van Gogh também foram tomados por esse mistério escuro que nos engole a vida numa colherada. E quem somos nós para julgá-los? Aliás, quem somos nós?

Pior mesmo é a vida como nos é oferecida. Ridículo é ir pra praia no carnaval. Feio é dirigir sozinho com o vidro fechado. Crime é dar Coca-Cola pra criança. Humilhante é ser qualquer nota, qualquer coisa, um a mais.

"Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague"

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

BLOCO 77: OS ORIGINAIS DO PUNK



Para a maioria dos rockeiros o carnaval é uma chatice. Quase não rola shows da sua preferência- Psycho Carnival é outra história, e está longe de ser a minha -, se você é durango não viaja, aí encontra o amigo que não viajou também porque anda liso do bolso, então vocês compram uma caixa de cerveja barata e passa a noite ouvindo uns discos com ares de resistência civil. Mas o carnaval não é mais tão nosso inimigo. Perto dos escândalos da Copa do Mundo, do Estado Violência, das alterações climáticas, do inferno que são os outros, o carnaval parece ser só... qualquer bobagem. Então apareceu o Shamil com o Risada e sua trupe, e criaram um hilário bloco amador para divertir os soldados da resistência: BLOCO 77, Os Originais do Punk. Em ritmo de marchinha eles tocam Olho Seco, Replicantes, Cólera, Ratos de Porão e Inocentes, mesclando rimas hilárias: "olha o moicano do Zezé. Será que ele é? Será que ele é?"

Depois de um ou dois ensaios abertos, agora tocam pra valer. Confira hoje, sexta-feira, às 20h na Rua Cardeal Arcoverde x R.Simão Alvares. E domingo em algum lugar. Procure infos na PÁGINA.

"Nós estamos caminhando para um grande precipício
A vergonha está presente nos jornais e nas ruas
Isto é Olho Seco
Seco, seco, seco"