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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

BLOCO 77: OS ORIGINAIS DO PUNK



Para a maioria dos rockeiros o carnaval é uma chatice. Quase não rola shows da sua preferência- Psycho Carnival é outra história, e está longe de ser a minha -, se você é durango não viaja, aí encontra o amigo que não viajou também porque anda liso do bolso, então vocês compram uma caixa de cerveja barata e passa a noite ouvindo uns discos com ares de resistência civil. Mas o carnaval não é mais tão nosso inimigo. Perto dos escândalos da Copa do Mundo, do Estado Violência, das alterações climáticas, do inferno que são os outros, o carnaval parece ser só... qualquer bobagem. Então apareceu o Shamil com o Risada e sua trupe, e criaram um hilário bloco amador para divertir os soldados da resistência: BLOCO 77, Os Originais do Punk. Em ritmo de marchinha eles tocam Olho Seco, Replicantes, Cólera, Ratos de Porão e Inocentes, mesclando rimas hilárias: "olha o moicano do Zezé. Será que ele é? Será que ele é?"

Depois de um ou dois ensaios abertos, agora tocam pra valer. Confira hoje, sexta-feira, às 20h na Rua Cardeal Arcoverde x R.Simão Alvares. E domingo em algum lugar. Procure infos na PÁGINA.

"Nós estamos caminhando para um grande precipício
A vergonha está presente nos jornais e nas ruas
Isto é Olho Seco
Seco, seco, seco"

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

R.I.P. Arnesto



Antes de tudo devo avisar que esse blog não é sobre óbitos. Falemos de coisas, e elas podem estar mortas. Mas falemos da cultura que se foi, da música que não emplacou, dos marginais do pop e anti-heróis desse planeta sobrecarregado de gente, gente que fica, pesando e enchendo.

O quinto finado da semana era meu vizinho. Morreu Ernesto Paulella, o personagem do Samba do Arnesto, de Adoniran Barbosa. Ele não era do Brás, era da Mooca, aonde faleceu aos 99. Quando foram apresentados, criador e criatura, o compositor disse: "você é Arnesto? Porque seu nome dá samba. Você aduvida?". Anos depois foi surpreendido pelo rádio e se emocionou. Diz ele que nunca convidou a turma para um samba, nem no Brás, nem na Mooca, e portanto, jamais deu a tal mancada. Também nunca precisou assinar em "X". Sabia escrever, era músico e advogado.

Obrigado por ter existido, Arnesto.

Ainda é cedo demais para se considerar São Paulo o túmulo do Samba, ao menos enquanto a gente tiver o privilégio de ouvir Samba do Arnesto com os Demônios da Garoa. #chupaviniciusdemoraes