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segunda-feira, 3 de março de 2014

THE ROCKIN' VICKERS: AS ORIGENS DE LEMMY KILMISTER


Os anos 60 são impressionantes. Na música quase tudo o que foi gravado não fez o sucesso esperado. Depois piorou pra quem toca. No final da década de 70 uma nova geração de colecionadores de compactos, DJ's da madrugada e historiadores do (anti) pop começaram a revirar a ossada dos jurássicos escondidos em depósitos, sebos, e sótãos de extintas rádios. Mais tarde as lançaram em coletâneas, até que fossem compartilhadas ao mundo pela internet. A dica do Gabriel Daher vem da Terra da Rainha.

O dinossauro Lemmy, líder do Motorhead, nos anos 60 teve uma banda dessas de garagem. Ele era guitarrista do The Rockin' Vickers. O conjunto começou em 1963, Lemmy entrou em 1965, e fazia o bom e velho rock inglês. Tocavam em escolas, clubes e bailes do norte da Inglaterra. Dentro dela não foram longe, mas nesse mesmo ano o conjunto saiu. Fizeram um momentâneo sucesso na Finlândia (aonde gravaram dois singles), e deram um jeito de tocar na Iugoslávia, através de um intercâmbio com o Exército Vermelho. Chegaram a gravar Kinks e The Who. Em 1967 a banda acabou, Lemmy virou roadie do Jimmy Hendrix, e findaria a década viajando no ácido também.

Esses são os passos para uma outra pesquisa de utilidade pública. Quanto jovem guitarrista, o Lemmy, do Motorhead, era Mod? Há evidências.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

QUE BACANA: SUELY E OS KANTIKUS


Que bacana que anda o pré-carnaval de rua em São Paulo. Na República ontem um desses tantos blocos reuniu mais de cem foliões, estive num bar ao lado. Tocavam marchinhas tradicionais e algum samba rock antigo. Os temas e nomes desses combinados são incríveis. Existem os Acadêmicos do Baixo Augusta, Bloco Bastardo, Bloco do Lixo, Bloco da Ressaca, Jegue Elétrico. Aqui no bairro está rolando o Moocarnaval. Surgiu nesses tempos uma banda tocando pelas calçadas da cidade: Bloco 77, Os Originais do Punk ("Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero pogar"). Os camaradas do Bloco Soviético compartilharam registros hilários da Internacional ("Agregando Mais Valia ao Camarotsky").

Sugestionado pelo clima também vou marchando, esfumaçante e barulhento. Em 1968 o quinteto paulistano Suely & Os Kantikus gravou seus únicos registros fonográficos: Que Bacana / Esperanto. Na primeira conseguiram fundir o ritmo das marchinhas tradicionais na guitarra fuzzilante do Lanny Gordin, uma cosmopolita fusão. Genuíno registro da música Garage brasileira. A canção ganhou o Festival Universitário de São Paulo, (passou ao vivo na TV Tupi) e foi regravada pelo conjunto Os Carbonos no mesmo ano. Mais tarde Suely deixou os Kantikus para viver nos Estados Unidos. Lanny Gordin continuou, notável em quase tudo em que houvesse Fuzz, sua marca pessoal, uma identidade. Gravou obras primas de medalhões da Tropicália e Jovem Guarda, dividindo palco com todo mundo, até hoje. Seria inédito e lisérgico, também não nos surpreenderia tanto, um bloco dedicado à essa geração: Unidos Pelo Esperanto ("Eu vou, por que não? Por que não? Por que não?")

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

THE NOVAS: THE CRUSHER

Bundiando em tempos de velhas idéias novas resolvi montar um blog pra tirar toda essa fumaça da mente. Se você gostar da informação, compartilhe ou dê um toque, é bom para o moral. E vamos de ficção que virou a realidade que virou lenda. DÊ O PLAY E SENTA O OLHO.


"The Crusher" (O Triturador) é um desmedido chamado ao combate. Ficou conhecida na versão do The Cramps, mas os originais do rock aqui é uma banda de cabeludos do ultra-conservador Estado do Texas: THE NOVAS. O tema é uma homenagem ao wrestler Crusher Lisowski, que em 1963 havia conquistado o Cinturão Mundial de Luta Livre. O jargão conhecido do lutador era "Do the hammer lock, you turkeynecks!". Quando questionado sobre como treinava para um combate, Crusher afirmava que corria toda a orla de Milwaukee carregando um grande barril cheio de cerveja sobre cada ombro. 


A banda, The Novas, era uma mixagem de duas novas: a atitude das bandas inglesas e a levada Surf  americana. Corria com o seu tempo, e inclusive o nome próprio era inspirado num cobiçado carro da década, o Chevy Nova. 
O quarteto gravou dois compactos, viajou pelos Estados vizinhos, participou de alguma coisa em TV e chegou a abrir shows dos Byrds, Hollies e Paul Revere, entre outros. Atingiu até uma certa popularidade entre os jovens de Dallas e redondezas, proeza distante à maioria das bandas de garagem da história. 
The Novas chegou ao fim em 1968. Já o campeão Crusher Lisowski se apresentaria nos rings dos States por mais duas décadas, vindo a falecer em 2005, ano em que entrei no contra-baixo d’Os Migalhas tocando esse petardo nos palcos rasos do underground paulista (e mineiro).