"Scott era um grande artista, eu nunca ouvi ninguém tocar bateria com mais significado do que Scott Asheton. Ele era como meu irmão. Ele e Ron deixaram um enorme legado para o mundo. Os Asheton sempre foram e continuarão a ser uma segunda família para mim. Meus pensamentos estão com sua irmã Kathy, sua esposa e sua filha Liz Leanna, que eram a luz de sua vida."
Nessa semana morreu o ator e roteirista do filme Os Caça Fantasmas (Ghostbusters / EUA / 1984): Harold Ramis. Ele conseguiu aproximar o imaginário infantil da ficção científica. De fato os anos 80 recobraram esses temas sessentistas: acidentes nucleares, máquinas do tempo, paranormalidade. Nessa comédia os fantasmas têm um aspecto gasoso ou gosmento, quase monstros, inspirados em semi-deuses mitológicos. Munidos de uma arma a laser acoplada numa mochila de prótons e dos aparatos do Cadillac Fleetwood 1959 - e de mais armas que não lembro -, atendiam ao consumidor mal-assombrado com um chamado telefônico.
Harold escreveu e atuou em outros campeões de bilheteria, mas sua carreira foi de fato marcada por essa comédia sobrenatural, o grande filme da infância e adolescência de muita gente. Vá em paz, gênio!
Pergunta que não cala: qual é a banda ativa mais antiga do rock? Falam por aí dos Rolling Stones. Diversos sites apontam para os Shadows e Golden Earrings. Mas não! Também me refiro às bandas que nunca interromperam as atividades, que mantém a formação original até o último suspiro, que produzem, se apresentam, lançam discos. Chuck Berry e Fats Domino não contam, eles são eles, e uma banda atrás. O Matusalém do rock'n'roll se chama THE VENTURES.
Em 1958 os guitarristas Don Wilson e Bob Bogle montaram o The Versatones, tocando o estilo instrumental por bares e festas privadas da região de Seattle (EUA). No ano seguinte definiram a sonoridade, a formação, o nome, e gravaram o Jazz "Walk Don't Run" no estilo que eles próprios eternizariam: o Surf Music. A princípio nenhuma gravadora se interessou. Foi aí que a mãe do Don Wilson resolveu dar uma mão e montou a Blue Horizon Records, de onde saíram os primeiros registros. Daí em diante foi questão de meses até assinarem um bom contrato e decolarem. A primeira apresentação em TV foi já em 1960, num programa de auditório de sábado a noite:
Estamos em 2014, e 56 anos se passaram. Nunca pararam, jamais cancelaram uma apresentação. Os Ventures gravaram mais de 250 discos, batendo também o recorde de produção e público. Nesse período venderam 110 milhões de exemplares, sendo um terço disso só no Japão, aonde se apresentaram duas mil vezes. Entre os nipônicos foram mais populares que Beatles e Jesus Cristo. O lance de tocar rock instrumental levava à loucura a juventude dos países fora do eixo inglês, linguisticamente falando. Entre seus principais hits estão Pipeline, Tequila, Wipe Out e Hawaii Five-O. Uma multidão de músicos se declararam fãs convictos do quarteto, entre tantos, eles: Ray Davies (Kinks), Paul Simonon (Clash), Keith Moon (Who), Steve Ray Vaughan, Ramones, Beach Boys e George Harrison. No Brasil nunca vieram, apesar da notável influência que exerceram sobre toda a Jovem Guarda. Bom, ainda há tempo.
Me pergunto agora: qual seria o segredo dessa longevidade toda? Talvez a resposta esteja lá no princípio: "Ande, Não Corra".
Bundiando em tempos de velhas idéias novas resolvi montar um blog pra tirar toda essa fumaça da mente. Se você gostar da informação, compartilhe ou dê um toque, é bom para o moral. E vamos de ficção que virou a realidade que virou lenda. DÊ O PLAY E SENTA O OLHO.
"The Crusher" (O Triturador) é um desmedido chamado ao combate. Ficou conhecida na versão do The Cramps, mas os originais do rock aqui é uma banda de cabeludos do ultra-conservador Estado do Texas: THE NOVAS. O tema é uma homenagem ao wrestler Crusher Lisowski, que em 1963 havia conquistado o Cinturão Mundial de Luta Livre. O jargão conhecido do lutador era "Do the hammer lock, you turkeynecks!". Quando questionado sobre como treinava para um combate, Crusher afirmava que corria toda a orla de Milwaukee carregando um grande barril cheio de cerveja sobre cada ombro.
A banda, The Novas, era uma mixagem de duas novas: a atitude das bandas inglesas e a levada Surf americana. Corria com o seu tempo, e inclusive o nome próprio era inspirado num cobiçado carro da década, o Chevy Nova.
O quarteto gravou dois compactos, viajou pelos Estados vizinhos, participou de alguma coisa em TV e chegou a abrir shows dos Byrds, Hollies e Paul Revere, entre outros. Atingiu até uma certa popularidade entre os jovens de Dallas e redondezas, proeza distante à maioria das bandas de garagem da história.
The Novas chegou ao fim em 1968. Já o campeão Crusher Lisowski se apresentaria nos rings dos States por mais duas décadas, vindo a falecer em 2005, ano em que entrei no contra-baixo d’Os Migalhas tocando esse petardo nos palcos rasos do underground paulista (e mineiro).