"
O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia." (Albert Camus, escritor do Existencialismo e do Absurdo).
Perdi um amigo, perdemos Adriano Lemos. O princípio da nossa amizade foi o estilo de vida em Vespa, sementes de 2007. O chamávamos de Cientista, mas Adriano era
artista. Fabiola Cally dedou: "um dos pioneiros da Toy Art no Brasil". De expressão melancólica e olhar ébrio sempre mirando qualquer coisa no chão, era o Adriano. Desse ponto de vista, considero, portanto, seus trabalhos, auto-biográficos. No ano passado ele presenteou a
Scooteria Paulista com uma obra especial, a que batizei de
M13. Deu que no último domingo ele consumou sua obra.
Desconheço a patologia do suicídio, acredito em hipóteses psiquiátricas e sociológicas. Por ano, mais de dez milhões de pessoas tentam, um milhão conseguem. Walmor Chagas virou estatística aos 82. Gênios como Hemingway, Santos Dumont e Van Gogh também foram tomados por esse mistério escuro que nos engole a vida numa colherada. E quem somos nós para julgá-los? Aliás, quem somos nós?
Pior mesmo é a vida como nos é oferecida. Ridículo é ir pra praia no carnaval. Feio é dirigir sozinho com o vidro fechado. Crime é dar Coca-Cola pra criança. Humilhante é ser qualquer nota, qualquer coisa, um a mais.
"Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague"